Para você que está chegando agora por aqui e não está familiarizado com os termos, hoje vamos abordar um
pouco sobre o que é a hipertensão arterial, quais os, sintomas, riscos e o que você deve fazer para se
proteger dos malefícios dessa doença, que é silenciosa.
Talvez esteja se perguntando: “Tá, mas o que diabos é a tal da pressão arterial?” ou “o que é artéria?”
Explico: A pressão arterial, juntamente com a frequência cardíaca, temperatura, e frequência respiratória são
os chamados sinais vitais, são dados que podem ser aferidos e estão presentes em todos os seres humanos
enquanto vivos.
Então, como o corpo produz essa pressão?
Tudo começa com a contração do coração, também chamada de sístole. É neste momento que o coração
bombeia o sangue com nutrientes e oxigênio para alcançar todos os orgãos por meio das artérias (vasos
sanguíneos que levam o sangue que saí do coração), e, assim, permitir o funcionamento adequado deles.
Durante a sístole, o sangue sai com força de dentro do coração (mais especificamente, do ventrículo
esquerdo) e alcança a artéria mais calibrosa do corpo ( a Aorta), e, neste instante é que aferimos a pressão
sistólica – o “Doze”. Ato contínuo, o coração relaxa (diástole) para que possa se encher de sangue antes de
iniciar um novo ciclo. Nesta etapa, a aorta, que anteriormente foi distendida pela pressão causada pelo
sangue bombeado pelo coração, agora se contrai, e gera a pressão diastólica – o “oito”. Esses movimentos
de distensão e relaxamento da aorta, passam por todas as artérias do corpo, e são o responsáveis por
conseguirmos sentir o pulso.

Ok, agora já sabemos de onde surge a pressão arterial, mas, para que ela serve?
Pois bem. Dada a íntima relação entre a pressão arterial e os batimentos cardíacos, e sabendo que o pulsar do coração é sinônimo de vida, você já deve ter entendido a importância deste sinal vital para a manutenção
do equilíbrio do corpo. O que falta para completar essa equação é entender que a pressão dentro das
artérias faz com que os nutrientes e o oxigênio do sangue possam sair de dentro as artérias e chegar ao Doze por Oito: sinônimo de saúde ou um mantra ultrapassado?1
interior das células de cada órgão. Depois desse “serviço de entrega” , o sangue agora sem oxigênio, retorna
pelas veias até chegar ao lado direito do coração, para que seja bombeado especificamente e
exclusivamente aos pulmões e, logo após isso, retorne ao ventrículo esquerdo para completar a circulação.
E a pressão é sempre igual o tempo todo?
Bem, a princípio, é importante dizer que o corpo aumenta e diminui a pressão inúmeras vezes durante o dia a
depender do que experiencia, para que, assim, todos os órgãos recebam sangue. Por exemplo: a pressão
tem quer ser mais alta para bombear sangue para o seu corpo todo quando se está de pé em comparação a
quando está deitado, pelo simples fato de ter de se vencer a gravidade para que o sangue chegue ao
cérebro. Ou ainda, em situações de estresse, que o coração passa a bombear ainda mais sangue para o
cérebro, músculos e menos para pele e trato gastrointestinal (fazendo a pessoa ficar com o coração
acelerado, “borboletas no estômago”, pálido), mas pronto para luta ou fuga.
Outras coisas que aumentam a pressão, além do estresse, é a obesidade, já que o coração tem que se
esforçar mais para enviar sangue para uma área maior do corpo; uso de substâncias como nicotina
(presente no cigarro), que por si só gera uma rigidez maior dos vasos e, por isso, aumento de pressão
Certo, mas, qual o problema da pressão ser alta?
Acontece que quando essa pressão chega a 120/80, todas as artérias do corpo passam a ser levemente
lesionadas de maneira contínua, e, a partir dessas lesões, gera-se uma reação imunológica e inflamatória
complexa, que é chamada de aterosclerose , e leva a obstrução das artérias, impedindo completamente que
o sangue chegue a esses órgaõs. Quando isso acontece no coração, é um infarto, quando acontece no
cérebro, é um acidente vascular cerebral, também conhecido como derrame.
Outro problema é a lesão que a pressão faz no próprio órgão. No rim, pode levar a insuficiência renal e até a
risco de diálise. Nos olhos, pode levar a doenças da retina de vários graus e, até mesmo à cegueira. E, no
coração, pode levar à insuficiência cardíaca
Existe algum sinal precoce da hipertensão arterial?
Não, a hipertensão é uma doença verdadeiramente silenciosa e que muitas vezes surpreende a pessoa que
sofre com suas consequências. A palavra aqui é prevenção!
Existe algum sinal precoce de acometimento desses órgãos?
Sim! É possível com exames simples como por exemplo: exame de urina, ecocardiograma, fundo de olho
determinar se existem sinais de lesão causada por hipertensão no rim, coração, olhos e, por consequência,
outros órgãos.
A Partir de qual idade eu devo procurar um médico para investigar?
Cuidar da saúde é inadiável! Se você é jovem, não adianta acreditar que as consultas realizadas na época da
sua infância pelo seu pediatra irão te proteger até a terceira idade. A indicação de diretriz é que uma vez por
ano, ao menos, você tenha sua pressão aferida e que seja realizada uma consulta médica voltada para a
prevenção de doenças (aquela consulta por uma queixa específica não conta, viu?)
Como descobrir que tenho Pressão alta antes do aparecimento dessas doenças?
Depende do método que você e seu médico escolheram para realizar esse diagnóstico, mas, idealmente
serão realizados dois tipos de aferição: a do consultório e a realizada em casa, essa, pode ser realizada de
duas formas: uma monitorização 24h com um aparelho ou, aferições repetidas em horários diferentes,
anotadas e trazidas ao médico.
Eu medi e vi que minha pressão é Doze por Oito, Estou bem, né?
Isso mudou, hoje e dia quem possui esse nível de pressão arterial é considerado pré-hipertenso, e o motivo
para essa classificação é o início precoce da atenção e tratamento não farmacológico, a fim de adiar as
lesões de órgão alvo.
Tem tratamento?

O Tratamento da hipertensão é multifatorial, ou seja, não basta somente as medicações, mas é imprescindível
a mudança de alguns hábitos de vida que não te ajudam em nada.
Abaixo é possível observar com números o quanto cada medida não farmacológica reduz de pressão arterial:
| Intervenção | Meta | Redução PAS (hipertensos) | Redução PAS (normotensos) | Ref. |
| Dieta DASH | Rica em frutas, vegetais, grãos integrais, laticínios com baixo teor de gordura | −5 a −8 mmHg | −3 a −7 mmHg | [1-2] |
| Restrição de sódio | Ideal 1.500 mg/dia; meta 2.300 mg/dia | −6 a −8 mmHg | −1 a −4 mmHg | [1, 3] |
| Perda de peso | ≥5% do peso corporal ou ≥3 kg/m² de IMC | −6 a −8 mmHg | −3 a −5 mmHg | [1, 3] |
| Exercício aeróbico | 90–150 min/semana | −4 a −8 mmHg | −2 a −7 mmHg | [1, 4] |
| Exercício isométrico | Handgrip 4×2 min, 30–40% contração máxima, 3×/semana | −5 a −10 mmHg | −4 a −6 mmHg | [1] |
| Aumento de potássio | 3.500–5.000 mg/dia (dieta ou suplementação 80 mmol) | −6 mmHg | −3 a −6 mmHg | [1, 3] |
| Substituto de sal | 25–30% KCl / 65–75% NaCl | −5 a −7 mmHg | −5 mmHg | [1] |
| Redução de álcool | Abstinência ideal; se consumir, reduzir ≥50% | −4 a −6 mmHg | −3 mmHg | [1, 3] |
| Meditação transcendental | 2×20 min/dia | −5 a −7 mmHg | −5 mmHg | [1] |
| Controle respiratório | Respiração guiada 10 resp/min, 15 min/dia | −5 mmHg | −5 mmHg | [1] |
O pulo do gato mora no fato de que a combinação de múltiplas intervenções produz reduções maiores do
que cada uma isoladamente.
Abaixo o quanto que os medicamentos podem reduzir a pressão arterial:
| Classe Farmacológica | Redução PAS (mmHg) | Redução PAD (mmHg) | Resposta à Duplicação de Dose (PAS adicional) | Efeitos Adversos Principais | Ref. |
| Diuréticos tiazídicos/tiazídicos-like | 10,8 (9,2–12,4) | 6,5 | +2,0 mmHg | Hiponatremia, hipocalemia, hipercalcemia, hiperuricemia, hiperglicemia | [1-2] |
| BCC di-hidropiridínicos | 9,5 (8,4–10,6) | 5,9 | +2,6 mmHg | Edema periférico dose-dependente, hiperplasia gengival | [1-2] |
| BCC não di-hidropiridínicos | 4,0 (9,1–2,1)* | — | — | Bradicardia, náusea, constipação | [2] |
| Betabloqueadores | 8,9 (7,8–10,0) | 5,5 | +0,5 mmHg | Asma, bradicardia, fadiga, intolerância ao exercício | [1-2] |
| BRA | 8,5 (7,8–9,3) | 5,2 | +1,1 mmHg | Hipercalemia em DRC, redução da TFG, hipotensão | [1-2] |
| IECA | 6,8 (5,9–7,7) | 4,3 | +1,6 mmHg | Hipercalemia em DRC, redução da TFG, tosse (até 20%), angioedema | [1-2] |
| ARM (espironolactona/eplerenona) | 8,4 (6,0–10,7) | 4,0 | +1,8 mmHg | Hipercalemia, ginecomastia (aparecimento de mamas em homens) (espironolactona) | [1-2] |
| Média de monoterapia (dose padrão) | 8,7 (8,2–9,2) | 5,6 (5,3–6,0 | +1,5 mmHg | — | [1] |
| Terapia dupla combinada (dose padrão) | 14,9 (13,1–16,8) | 9,1 (8,1–10,2) | +2,5 mmHg | — | [1] |
Perceba que a tabela dos medicamentos possui a coluna dos efeitos colaterais que a tabela do tratamento
não farmacológico não possui. Além disso é fácil perceber que as medidas não farmacológicas podem
inclusive fazer com que você utilize ainda menos medicações.
Como que eu tenho certeza de que o tratamento está sendo eficaz?
Existem metas de pressão que foram estabelecidas como as desejáveis que reduzem de maneira significativa
a chance de extensão dos danos causados pela pressão arterial, então, realizamos exames anualmente de
aferição da pressão e exames desses órgãos que sofrem com a pressão alta.
Será que deveria investigar o motivo de ter uma pressão tão alta assim?
Sim! Existem casos em que é necessária uma investigação detalhada do que é chamado de hipertensão
secundária. Três grandes características são observadas: 1) Temporalidade (início abrupto, em pessoas
jovens, ou em idosos com um padrão específico de hipertensão); 2) Gravidade: casos em que a pressão é de
muito difícil controle, muita lesão desses orgãos ou quando há suspeita de uso de alguma substância que
aumente a pressão; 3) Quando os exames de laboratório já apontam para alguma causa.
Fora essas situações a pressão alta é considerada própria da pessoa, sendo desnecessária a investigação
complementar da causa.

